sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Não sei explicar...

Não sei explicar.
Quando gosto imenso de uma pessoa, nunca digo a ninguém o seu nome. Seria como entregar uma parte dela.

Habituei-me a manter o segredo. Parece ser a única coisa que nos pode tornar a vida moderna misteriosa, ou maravilhosa.

A coisa mais banal aquire encanto simplesmente quando não revelada. Quando me ausento da cidade, nunca digo aos de casa para onde vou. Perderia todo o prazer, se o fizesse.



É um hábito tolo, confesso, mas traz algum romantismo à nossa vida.


Oscar Wilde - ' O retrato de Dorian Grey '

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ás vezes fico meio... sei lá....

Aínda hoje questiono-me sobre a razão de ter aberto um blog.... não sou muito de falar as minhas coisas para os outros lerem.....talvez esta sensação de saber que podem-me conhecer não me conhecendo....apesar de parecer estúpida e repugante a meus olhos....solta-se também como um porque não?!

A mente divaga em imagens e conceitos...do que será feito do meu blog daqui a 50 anos....ou mesmo daqui a 10 anos?!....

Ou então para a semana... eternizando o dia em que vou morrer amanhã....

Nunca consegui ter um diário....inventei letras...conceitos...regras gramaticais próprias....para esses meus pequenos "hieróglifos"....memorizei-os e mesmo assim.... - mesmo antes de existir a febre dos computadores...porque eram caros e raros....aqueles primitivos 486, que agora ninguém os quer dados..., poucos se davam ao luxo de os ter na adolescência - mesmo assim...com códigos..., com uma linguagem que só eu entendia... e com um livro cheio de folhas brancas..., mesmo assim nunca consegui colocar mais que duas páginas borratadas de tinta....que eternizava num gesto intemporal ( porque aínda guardo o livro com duas páginas) as interferências anormais de corrente electomagnética disferida por meus neurónios de então.

Contudo devo ser dos únicos, senão o único que tem um blog....só para ele...onde ninguém entra...a não ser um afamado heacker amadoroexperimental para se vangloriar que consegiu aceder a um blog fechado e bloqueado que nem aparece nos motores de busca e que encontrou um sítio cheio de coisas inúteis...

Esta experiência de poder ter algo público...que todos pudessem ler...surgiu como segundo estágio...numa conversa com uma pessoa "simples", que lá terei as minhas razões para lhe ter dado ouvidos ás suas latinas palavras, que naquele instante soaram a um "porque não?!"

Cá estamos prontos para descer ás 9 esferas do inferno dantesco....e autoconhecermo-nos melhor....talvez aqui se encontre a famajerada agulha escondida no palheiro...

Certamente irei cair em polos opostos....não sendo eu bipolar...sou qualquer coisa mais para o espanto-fascinado.., quadripolar....psicopático e com tendências de invencibilidade, certamente que não..., mas acima de tudo crítico, com visão abarcante de um infinito horizonte... e doses de bom senso, calma...vivendo num mundo a delirar para quem muitas vezes o louco sou EU.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Não me julgue sem me conhecer!!!

Recentemente tenho-me deparado com algumas pessoas na vida...pessoas muito engraçadas e interessantes, inteligentes quanto baste para dialogarem comigo...
As relações podiam ser espectacularmente inéditas...se não fosse muitas vezes o medo que se guarda...e a temível desconfiança que se gera...por julgar que o outro está sempre à espera de algo...de nos tramar...de nos levar...de muitos "dês"...

Bernard Michal na colectânea d' "Os Grandes Julgamentos da História", nos tomos a que se refere ao Julgamento de Nuremberga diz na introdução....
"(...) E se a guerra tivesse sido ganha pelos nazis, teria o mundo assistido a um «Nuremberga» ao contrário? (...)"

Certamente que os criminosos...que os malfeitores ...que os levianos e precipitados seriam a equipe dos aliados....
Quero eu com isto dizer que o mal está na forma como nós vemos as coisas e não nas coisas....

Explico de outro modo...
Uma vez a descer as escadas de uma escola secundaria um colega apressado e aos encontrões pede licença para passar...eu digo "faça o favor"....ele responde com ar agressivo..."pedir por favor era o que me faltava ora esta!!!...."

Eu estava simplesmente a ser educado, dizendo, faça o favor de passar....

Muitas vezes na vida nós fazemos algo..dizemos algo...sentimos algo e partilhamos algo....mas nem sempre sabemos como a mensagem vai ser recebida pelo destinatário....ele também a filtra...e essa filtragem depende de muitos factores...desde o seu estado de espírito ao seu estado de humor....já para não falar do bom senso entre outros...que podem moldar a mensagem inicial....

É o risco que corremos constantemente...o de ser-mos mal interpretados.... o do receptor procurar intenções para apontar o dedo ou questionar-se sobre as intenções do emissor..., tal como em «Nuremberga», em que nenhum dos dois tinha razão em apontar o dedo ao outro....


Se se repetir «Nuremberga» pelas nossas vidas....estaremos constantemente a ser injustos, não só com os outros mas com nós próprios....afastando possibilidades de viver de um modo inédito...uma existência terrena nunca antes vislumbrada...